Em artigo postado em 4 de fevereiro de 2010 aqui no blog, sob o título "Os caças da FAB e o interesse do governo na ONU", eu especulava que tanto empenho do governo petista para comprar o avião de caça que é muito mais caro que os outros dois, e assim mesmo não sendo tecnicamente o melhor, só poderia ser em função de outros interesses do governo, e tudo levando a crer que seria para "comprar" o apoio da França às pretensões do governo para obter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Pois bem, em entrevista à Folha de S. Paulo em 8 de fevereiro de 2010, Yves Saint-Geours, novo embaixador da França no Brasil, não apenas confirmou o que eu só havia especulado, como também enfatizou o escambo do "Françalão", ao declarar:
"Saint-Geours – Nossa parceria é reciproca, equilibrada e global. Os dois lados ganham. Além disso, essa perceria tem um custo para a França.
Folha – Que custo?
Saint-Geours – Seria muito fácil para nós se disséssemos que apoiamos o ingresso de um país latino-americano como membro permanente no Conselho de Segurança da OUN sem dizer quem é nosso candidato. Assim continuaríamos numa boa com México, Argentina etc. Mas fizemos uma escolha aberta em favor do Brasil. Isso tem um custo político."
Na verdade, o custo para "comprar" o apoio da França e sua influência no voto de outros países para a indicação do Brasil ao Conselho de Segurança da ONU não é só político. Se o PT realmente fechar a negociata, o custo para o Brasil será de alguns bilhões de dólares.
E pelo empenho que o ministro Nelson Jobim está tendo em favor dos aviões franceses, não é de se estranhar que após sua estada no Ministério da Defesa, ele já esteja se achando preparado para ocupar a cadeira permanente de embaixador do Brasil, no Conselho de Segurança da ONU.