Como muitos moradores dos bairros de Campos Elíseos, Luz e Santa Efigiênia previam, a tão propagada ação "Centro legal" não passou de mais um projeto, depois do "Viva o centro" e "Nova Luz".
E assim vão ser as próximas promessas, porque a solução permanente para a cracolândia, moradores de rua, drogados e menores assaltantes desses bairros da capital paulista só vai acontecer quando algumas leis mudarem. Principalmente leis federais.
Exemplo: o sistema policial do Brasil assemelha-se ao da Idade Média, com os governadores fazendo o papel de senhores feudais.
Pois não tem cabimento existirem três polícias, com a Guarda Municipal tendo atuação limitada e a civil e a militar prestando contas ao governador. Quando o normal seria haver só uma polícia - como nos países adiantados -, subordinada ao município.
Assim, as queixas de moradores e das associações de bairro, seriam feitas diretamente ao delegado do bairro, pois ele estaria subordinado ao prefeito. E vice-versa.
Mas do que jeito atrasado que é o nosso sistema, prefeito e vereadores, que teoricamente deveriam ser responsáveis totalmente pelos problemas da cidade, são dependentes do governo estadual.
E quando moradores e associações de bairro vão até a policia civil, PM, deputados e secretarias, reivindicando soluções para os seus bairros, isso não surte muito efeito porque essas entidades e pessoas se reportam ao governador, que por sua vez, tem outras 653 cidades no Estado de São Paulo para administrar.
Outro exemplo: o problema dos drogados e menores assaltantes não vai ser resolvido apenas com assistência social, também depende de nova lei sobre a maioridade penal, que depende de maior rigidez do sistema penitenciário, que depende da construções de presídios particulares, e tudo isso depende de políticos interessados em resolver os problemas da população, e não apenas os problemas financeiros deles e dos amigos. Como parece ser o verdadeiro objetivo do projeto de incentivo imobiliário vinculado ao projeto "Nova Luz".
Há mais exemplos, e para todos eles as soluções só vão vir com novas leis. E elas dependem de políticos bem-intencionados.
Assim, acho que tanto a combativa AMCCE (Associação dos Moradores e Comerciantes de Campos Elíseos), como todas as outras associações de moradores de todo o Estado de São Paulo, deveriam sim tomar posições políticas, pois a arma mais forte que ainda temos, mais forte que passeatas, faixas, blogs e artigos, é o voto.