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Veronezzi

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TAMANHO DA LETRA
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Eles não aprendem. Nunca.  Comentários(0)

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou em 11 de outubro de 2009 uma PEC (Projeto de Emenda à Constituição) que visa restaurar a obrigatoriedade dos profissionais de jornalismo serem diplomados em curso de jornalismo para poderem exercer a profissão.

Com certeza todos os membros dessa comissão já devem ter lido e ouvido várias vezes que a nossa Constituição é excessivamente detalhista, cheia de emendas, parecendo até a tentativa de se colocar nela quase todas as leis do País. Mas não adiantou nada, porque acabam de aprovar a inclusão de mais uma emenda sobre um assunto específico, que diz respeito apenas a uma classe de profissionais e cujo teor deveria apenas ser objeto de lei, nunca constar da Constituição.

A lógica dos deputados é a seguinte: os leitores, telespectadores e ouvintes precisam ser defendidos de jornalistas sem-diplomas (Luis Carlos Veríssimo, Millor Fernandes, Arnaldo Jabor, Joelmir Betting, só para citar alguns, não têm diplomas de jornalista), e por isso é preciso colocar na Constituição uma emenda específica para dar garantias ao público de que, só com jornalistas diplomados o público receberá notícias isentas, bem escritas, sem tendências políticas para este ou aquele partido, e sempre falando a verdade.

Constituições de países sérios como EUA, Inglaterra e outros, tratam dos princípios gerais que devem reger o país, deixando para cada assunto específico as leis, os códigos e os decretos.

Dentro da lógica dos deputados favoráveis a esta PEC, seria então o caso de serem feitas também outras emendas defendendo reivindicações de várias classes de profissionais. No caso dos médicos: não aceitação de formados em faculdades da Bolívia. No caso dos corretores de imóveis: penas mais rígidas aos porteiros e zeladores que intermedeiam venda de apartamentos.

E por que não uma PEC obrigando as empresas de ônibus de todo o Brasil a nunca deixarem de ter um cobrador em cada ônibus? E outra para que todo prédio comercial seja obrigado a ter um ascensorista por elevador? Os sindicatos iriam adorar (mas claro que isso não é matéria para PECs, e seria um atraso, pois os sindicatos têm é que incentivar cobradores, ascensoristas, e outros, a desempenharem funções mais qualificadas, para assim ganharem mais).

O mais interessante é que, quem tinha que se preocupar se jornalistas e comentaristas são, ou não, diplomados, são os donos dos veículos de comunicação.

São eles, os donos de editoras, emissoras e portais de internet que terão problemas se o conteúdo noticioso dos seus veículos de comunicação estiver com má qualidade. Porque nesse caso o público vai reclamar, e pior, vai se bandear para a concorrência.

Só que a ANJ (Associação Nacional dos Jornais) e demais entidades representativas dos meios de comunicação já se manifestaram favoráveis a não exigência do diploma de jornalismo para seus profissionais. Pois a preocupação das empresas de comunicação é com a qualidade dos seus conteúdos. Sejam eles produzidos por diplomados, ou por sem-diplomas.

Exatamente como é o caso das gravadoras e editoras ao investirem em autores, cantores e músicos. As galerias de arte, em pintores, os investidores em diretores de cinema.

E se não são as empresas de comunicação e nem o público que estão querendo a exigência do diploma, quem são então?

Os sindicatos (que aliás, exigem que músicos e artistas, para trabalharem, tenham que ser filiados aos sindicatos locais), e os deputados do PT, Paulo Pimenta (RS) e Maurício Rands (PE), que, como bons petistas, são simpáticos a qualquer reivindicação de sindicatos, e, veladamente, defendem os interesses dos grandes grupos de ensino.

O autor da proposta, deputado Paulo Pimenta, ainda disse que recebeu milhares de e-mails solicitando a aprovação da PEC: "As mídias sociais, os estudantes de jornalismo, os sindicatos… todos começaram a cobrar, pela internet, para que os deputados assinassem a PEC".

Declaração, no mínimo, estranha, e convenientemente atribuída à internet, pois é óbvio que sindicatos e estudantes têm interesse em defender uma "reserva de mercado", e estas mídias sociais citadas pelo deputado podem ser facilmente usadas pela grande maioria das pessoas desses dois grupos. Mas leitores, ouvintes e telespectadores comuns, das classes médias e baixas será que enviaram algum e-mail aos dois deputados do PT?



Publicado por Veronezzi, em 24/11/2009 00:18 - ( 0 Comentários )
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